Começo hoje mas podia ter começado ontem... ou talvez anteontem, se calhar o dia anterior, quem sabe se ainda há mais tempo. Porque a condição de desempregado é mesmo assim, como a Coca Cola pessoana, aquela que "primeiro estranha-se e depois entranha-se." Pega-se à pele e dela não nos conseguimos despir com a mesma facilidade com a vestimos.
Esta coisa de desempregado faz-me lembrar a condição do solteiro entre amigos casados. Elas, as imaculadas esposas dos agora abarrigudados amigos, olham para nós com desconfiança, encaram-nos como uma ameaça à tranquilidade do seu lar encafuado lá para os arrabaldes da capital. Por outro lado, o profundodesempregado é olhado pelos amigos (?) e conhecidos de profissão como mais um que quer roubar uma fatia do bolo, afinal um concorrente, mais um a juntar-se à sopa das estatísticas dos 10%.
Resumindo, vai dar tudo ao mesmo. Porque é connosco, e só connosco, que os respeitosos maridos de passado insuspeitável encarnam os espíritos malévolos de outros tempos. Será sempre na nossa companhia que, acham, os ditos consortes vêem o fundo ao caneco de cerveja derramada aos litros, não será com mais quem quer que seja que os rebarbados encapotados vão aos bares de strip e esfumaçam o tempo perdido nas fraldas e nos arrotos da filharada que entretanto foi reivindicada após ano e meio de casamento. Depois há aqueles que se agarraram de tal forma ao matrimónio com o capital que mais não o querem largar, provavelmente com medo de ascender ao estatudo de profundodesempregado.
Vejamos; é tudo areia do mesmo saco, os profundosdesempregados entre assalariados e os solteiros no meio de profundoscasados. São sempre uma carta a mais no baralho... ou no trabalho!
sábado, 26 de maio de 2007
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